Experiência e qualificação profissional fazem com que muitos idosos voltem à ativa, com salários e benefícios compensadores.
A aposentadoria deixou de ser um fim de carreira para profissionais experientes e com bom currículo em atividades aquecidas da economia, mas que enfrentam a escassez de mão-de-obra. À procura de trabalhadores de diversas áreas, as empresas passaram a valorizar os aposentados e em alguns casos nem sequer interrompem o contrato de trabalho, ao receber o comunicado do INSS. O retorno deles à ativa chega a ser mais intenso do que a taxa de crescimento de toda a força de trabalho no país, entre 2004 e 2006, conforme estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
São 5,2 milhões de aposentados que continuaram a trabalhar em 2006, um universo 9,7% maior na comparação com 2004. Nesse mesmo período, cresceu 6,1% o número total de pessoas ocupadas no Brasil (84,9 milhões em 2006). Os dados são os mais recentes disponíveis da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os aposentados que têm o curso superior, a diferença a favor de quem já se aposentou é ainda maior, surpreendendo o pesquisador Ricardo Chagas Amorim, do Ipea, autor do levantamento feito com exclusividade para o Estado de Minas.
Em 2006, havia na ativa 121 mil aposentados com o terceiro grau a mais que em 2004, perfazendo um aumento de 23% em três anos, frente ao acréscimo de 17,3% do contingente total de trabalhadores nessa faixa de escolaridade. “É um movimento incomparável. Passamos a década de 90 amargando baixo volume de investimentos na economia e o que mais se viu foram engenheiros trabalhando em bancos por falta de oportunidade. Agora, a situação se inverteu. O crescimento voltou e não há gente treinada para assumir determinadas funções nas empresas”, afirma.
Os aposentados com o ensino médio completo também estão participando mais do mercado de trabalho. Em 2006, havia 80,8 mil pessoas a mais nessa condição trabalhando em relação a 2004, o que representa uma evolução de 20,3%, ante 17,5% da força de trabalho nesse nível de escolaridade. Graças a essa mão-de-obra que conseguiu aplicar na prática a formação técnica, as indústrias contornam, em alguma medida, a dificuldade de preencher vagas para dar conta do aumento das encomendas, a exemplo da Delp Engenharia, fabricante de bens de capital (máquinas e equipamentos) em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Giovani Borges Ribeiro, de 49 anos, começou a trabalhar com a carteira assinada aos 16 e requereu o benefício da aposentadoria proporcional aos 43, quando trabalhava na fábrica mineira como líder de equipe na usinagem de peças pesadas e estruturas, ramo em que está há 31 anos. O próprio chefe sugeriu que ele continuasse. “Disposição nunca me faltou para trabalhar e na época eu tinha dois filhos iniciando os estudos na faculdade. Foi com orgulho que aceitei a proposta”, conta o aposentado.
Estado minas, 26/05/08